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Ló Garizo do Carmo, nasceu em Lisboa mas viveu parte da sua vida em Moçambique, Angola e Índia.

Formou-se na Escola Superior de Educação pela Arte, fundou três escolas para crianças e o “Grupo Pitágoras”.

Realizou seis exposições individuais e colaborou em diversas colectivas onde obteve sete Menções Honrosas.

Foi eleita “PINTORA DO ANO” em 1987, na festa organizada pela revista “MULHERES”

Está representada no Museu de Arte Primitiva Moderna de Guimarães  e no Museu Internacional de Arte Naif de Jaén em Espanha.

“ALGUMAS PALAVRAS…”

 A vivacidade da cor, verdadeiramente irradiante é a tónica imediata das pinturas de LÓ, que demais traduzem uma visão poética muito pessoal do seu mundo imaginário. Mundo não “ingénuo”, como um juízo precipitado poderia rotular o teor destas pinturas e, muito menos, a sua execução, tanto o seu “métier” tem sido apurado. Estamos diante de uma pintora adulta e de uma pintura original.

As pinturas de LÓ, tão bonitas de cor, são bem interessantes e sugestivas na representação de formas, como uma árvore toda verde cujos ramos se movem como os tentáculos de um polvo gigante, ou de seres e animais nunca vistos – um elefante carminado, de olhos verdes e curvos dentes violetas, ou uma baleia, sob uma chuva de peixes, cavalgada por uma sereia vermelha com cabelos verdes…

Um balão extravagante com corações pintados, sob nuvens lilazes, suspende uma barquinha com dois grandes leões…

Estas graciosas e tão coloridas pinturas de LÓ são obra de uma artista  “naïve”, mas nelas como que reencontramos aquela frescura , aquele amor da cor e superação do real que gostamos e já vivemos na nossa recuada infância. Cores por vezes simbólicas, seres quási fantásticos…

As suas pinturas, refletindo um mundo de fantasia muito seu, com cores certamente ecos de outras latitudes onde viveu, não são obra gratuíta nem lúdica. Têm uma decifração também, a sua intencionalidade expressiva. Nessa sua  “festa”, como que de Paraíso reconquistado, e nesse  “cenário” de policromia viva onde se agita um zoo de circo espelha-se todo o encanto de um mundo “primitivo”… A mulher e a criança estão subtilmente em causa – onde quer que se situem, não importa em que continente. O exótico, seja o de outras paragens, seja o que nos rodeia sem darmos por isso, testemunhado pelo seu olhar profundo e transposto para as frágeis telas não oculta a realidade de um meio humano e universal. Olhar lúcido e crítico para certas convenções ou ilusões do mundo estável e aparentemente confortável…

ADRIANO DE GUSMÃO

Crítico de Arte

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